A White Wolf ainda não morreu

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Para quem ainda não ouviu, o blogcast mais recente da White Wolf, postado ontem, trata de um assunto muito comentado desde 2006 e que ganhou corpo de novo recentemente quando a companhia enxugou a agenda de lançamentos para o final do ano: a fusão com a CCP, desenvolvedora do MMORPG EVE Online e futura responsável pelo Mundo das Trevas Online.

Mesmo três anos depois, ainda há quem acredite que a CCP vai, eventualmente, “matar” as linhas de RPG, ou reduzi-las a um mínimo do mínimo. Eddy Webb, desenvolvedor de Produtos Alternativos (digitais, em sua maioria), trata de comentar esta boataria e explicar a relação entre as duas companhias e o que pode acontecer no futuro.

Algumas coisas que Eddy Webb declara no podcast:

  • O que aconteceu foi uma fusão, e não uma aquisição;
  • Se a CCP quisesse simplesmente pegar as mentes por trás da White Wolf para uso em seus MMORPGs, ela não teria financiado as linhas de RPG “de mesa” por três anos;
  • A companhia tem tido problemas com as distribuidoras de livros, inclusive com lançamentos chegando a lojas online meses antes da data real e em conta-gotas (ele se refere a Night Horrors: the Unbidden, que teve cerca de 350 cópias lançadas fora de hora);
  • E, finalmente, a editora NÃO irá parar de lançar livros físicos; a busca por um contrato de PoD (impressão sob demanda) está em progresso.
Impressão sob demanda (PoD)

Impressão sob demanda (PoD)

Para oferecer um pouco mais de contexto e acalmar quem andou preocupado com a falta de lançamentos, traduzo aqui dois posts de Ethan Skemp, desenvolvedor sênior do Mundo das Trevas, sobre o que anda acontecendo na White Wolf; ambos foram publicados em um tópico exatamente sobre este assunto nos fóruns da RPG.Net.

Não há motivo para desespero, não. Ainda estamos por aí. Nosso modelo de negócios está mudando em algumas frentes à medida que caminhamos (por razões que talvez já comentamos anteriormente, mas que terei prazer de explicar de novo); porém, não vamos definhar e desaparecer tão cedo.

E quando pediram para ele explicar…

Claro, sem problemas.

Um fator é que o mercado editorial como um todo está meio que em polvorosa no momento, o que encoraja mais pessoas, como nós, a seguir adiante e fazer mais experimentos com publicações eletrônicas. É por isso que vocês estão vendo coisas como Glories of the Most High [n. do t.: para Exalted] saindo em formato eletrônico. Não estamos certos de que as coisas voltarão a ser como eram nos anos 90, em termos de demanda por produtos impressos; então, vamos buscar o nosso espaço, seja como for que o mercado editorial como um todo se pareça daqui a cinco anos. Temos feito isso há bastante tempo já, com os SAS e afins; trata-se simplesmente de um processo em andamento.

Outro fator é que… Bem, com a fusão e etc., nós temos suporte financeiro suficiente para não ficarmos acorrentados a suplementos em linha de produção constante. Há uma conversa bem mais extensa [n. do t.: no site RPG.Net] sobre como o mercado comprador atual mudou para um modelo periódico, com cada vez mais lojistas tratando cada lançamento como algo que você estoca enquanto for novo e depois nunca mais o adquire novamente. Em resumo, é bom não termos que nos prender a isso e podermos lançar suplementos e jogos quando acharmos que vale a pena, em vez de continuar lançando-os em rotatividade, frequentemente para serem esquecidos.

Em essência, estamos experimentando. Não estamos presos à idéia de ter que espremer a última gota de sangue de qualquer coisa em que botamos a mão; logo, temos um pouco mais de liberdade para testarmos coisas que consideramos ter real mérito.

PS.: Para quem ouviu o blogcast – a entrevista a um blog via GoogleWave ao qual ele se refere no final da transmissão é a entrevista dada a este modesto blog, sim. Ela está sendo traduzida e deve sair até o fim da semana.

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4 pensamentos sobre “A White Wolf ainda não morreu

  1. marú disse:

    Pelo menos deram sinal de “vida”. Afinal, estavam devendo essa posição a tempos…bem , paciência agora.

  2. Ismael disse:

    Não morreu “ainda”? Isso aí é meio mórbido =/

  3. Luiz Mello disse:

    Ei, Fábio! Long time no chat.

    Lendo as declarações do Eddy Webb, não pude deixar de achar observar umas coisas. Você me conhece, sabe que não sou desses profetas da catástrofe que veem problemas e conspirações ao menor indício. Mas também não deixo de detectar o “corporativês” que os discursos transparecem. Por exemplo:

    “O que aconteceu foi uma fusão, e não uma aquisição”

    Bom, filigranas jurídicas e contábeis à parte, é sabido que fusão x aquisição é uma distinção que tem mais a ver com egos do que com a essência da coisa. No fundo, no fundo, sempre alguém comprou e alguém foi comprado. O que não é uma coisa necessariamente ruim, só observando.

    “Se a CCP quisesse simplesmente pegar as mentes por trás da White Wolf para uso em seus MMORPGs, ela não teria financiado as linhas de RPG “de mesa” por três anos”

    Talvez, mas isso não prova nada. A CCP pode ter financiado a linha de mesa nesse tempo por diversas razões (mercadológicas, contratuais etc.). Isso não garante que a linha mais tradicional faça parte da estratégia de médio e longo prazo da empresa.

    O ponto importante mesmo é a declaração do Ethan Skemp de que a WW está se posicionando para atuar (e ser viável) em um mercado editorial em transformação. Isso já era perceptível, mas é legal a empresa se pronunciar a respeito.

  4. fabiosooner disse:

    Fala Luiz!

    Olha, em geral eu vi as mesmas coisas que você. Tem quem conteste Eddy Webb, e não descarto que tenha sido uma aquisição, sim; a CCP é quem tem o dinheiro, então no fundo pouco importa como a transação foi chamada legalmente. A CCP é quem tem o poder.

    O que pouca gente nota nessas horas (e sei que não é o seu caso, mas serve para os leitores mais fatalistas) é que no fundo isso importa pouco. O que importa é se a CCP quer ou não manter a linha de jogos. E a minha impressão, tanto como usuário constante de fóruns de RPG, da WW e de EVE Online, é que eles não pretendem jogar fora a “marca” World of Darkness.

    O que pode acontecer – e eu apostaria nisso – é que a médio e longo prazo, digamos dez anos, o Mundo das Trevas possa aparecer no formato tradicional de RPG “de mesa” apenas esporadicamente, com a maior parte dos esforços para promover o cenário indo para o MMO e outras frentes, incluindo games para consoles (a CCP vai lançar um no ano que vem, baseado em EVE) e software para as pessoas jogarem online.

    O importante é perceber essa última possibilidade: por “RPG online” entenda-se jogar o RPG como tradicionalmente o conhecemos hoje, só que online, conversando e trocando informações com outros jogadores distantes. Isso já é muito praticado hoje por conta da dificuldade de se encontrar grupos de jogo na mesma cidade quando se vive fora de um grande centro. Isso limita e muito o público do RPG. Incentivar o contato online com softwares específicos, que façam mais do que apenas prover uma janela de chat e ferramentas de mapa e rolagem de dados, é crucial para a sobrevivência do hobby, eu acho.

    E considerando a experiência da Wizards com o D&D Insider, que não deu em muita coisa, a WW/CCP provavelmente está na melhor posição possível hoje na indústria de RPG para realizar esta proeza. Nesse sentido, o anúncio oficial que importa já foi feito; eles vão lançar no ano que vem um software de gerenciamento de crônicas para live action, que deve ser o estopim para uma série de outras ferramentas voltadas a jogar RPG “tradicional” via Internet.

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